
A nova estrutura conta com sala de aula revitalizada, dormitórios com capacidade para 30 alunos, refeitório e centro de vida saudável.
Na última quarta-feira (21), o Capim Roxo, zona rural de Caparaó (MG), tornou-se palco de um dos momentos mais significativos da história recente da missão adventista no sudeste do país. Foi inaugurado o Instituto Adventista de Missões, um centro de treinamento que surgiu em uma parceria da sede administrativa da Igreja Adventista para Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, seus dez campos, liderado pela sede da Igreja Adventista no sul de Minas Gerais.
O Instituto nasceu com o objetivo de formar missionários preparados para plantar igrejas em regiões ainda não alcançadas pela mensagem adventista, especialmente nas mais de 140 cidades do Sul e Zona da Mata de Minas. A nova estrutura conta com sala de aula revitalizada, dormitórios com capacidade para 30 alunos, refeitório e centro de vida saudável.
Durante a cerimônia, o presidente da Igreja para o Sul de Minas Gerais, o pastor Valdomiro Alves, destacou a relevância histórica do local e a urgência da missão.
“Esta terra foi doada por um pioneiro, o irmão José Garcia, que entregou sua vida, seus bens e sua fé para o avanço da obra. Aqui já funcionaram escolas, orfanato, acampamentos, mas por um tempo, tudo ficou em silêncio. Hoje, estamos devolvendo propósito a este solo. Com este instituto, estamos preparando obreiros para ir onde a Igreja ainda não chegou. E eu creio que com oração, preparo e consagração, vamos conseguir”, explicou Alves.
Aulas inauguradas
A primeira aula foi ministrada pelo pastor Alexandre Carneiro, secretário executivo da Igreja Adventista para o sul do Minas Gerais. Ele explicou que o curso missionário terá duração de cinco intensivas semanas, em regime integral, com aulas diárias das 7h30 às 17h30.
O curso será dividido em cinco eixos de formação. “Trabalharemos a base espiritual, habilidades de liderança, ferramentas práticas de missão, apoio ministerial e saúde integral. Queremos formar plantadores de igrejas conscientes do chamado e preparados para cumprir sua missão com excelência", afirmou o secretário.

Entre os alunos da primeira turma está Renato Lacerda, um capixaba que deixou o seu estado para evangelizar o Sul de Minas.“A minha maior motivação é sentir a necessidade de alcançar vidas para o reino de Deus, assim como eu fui alcançado. É um privilégio tremendo fazer parte é do povo que aguarda a volta de Jesus. Então eu sinto a necessidade de levar isso à frente. Essa é a minha maior motivação”, disse.
Apoio de outros campos
A inauguração contou com a presença das lideranças das sedes regionais da Igreja nos três estados, representando o apoio coletivo de todo o território do sudeste ao projeto.
O presidente da Igreja para o Sudeste,pastor Hiram Kalbermatter, expressou gratidão e visão para o futuro. “Há pouco mais de um ano, 350 municípios mineiros ainda não tinham presença adventista. Hoje, esse número caiu para 280 graças ao projeto ‘Em Cada Cidade Uma Igreja’. Mas quase metade dessas cidades estão aqui, no sul de Minas. Este Instituto foi criado para acelerar esse processo. Será uma escola missionária para toda a nossa União. Vai preparar líderes para plantar igrejas, revitalizar comunidades e alcançar lugares urbanos ainda carentes do evangelho. Estamos reformando o passado para cumprir o propósito original: enviar missionários para toda a União e, quem sabe, para além dela.”
Histórias de Transformação

Durante a programação, duas pessoas desceram foram batizadas"o pintor Elivanaldo Araújo, que ajudou a construir o Instituto, e sua namorada, que foi tocada pela mensagem ao ver a transformação de vida dele.
“Eu cheguei aqui como trabalhador da obra. Nunca tinha tido contato com a Igreja Adventista. Mas, um colega de serviço falava de Jesus todos os dias. Aquilo foi mexendo comigo, até que comecei a estudar a Bíblia. Hoje, estou aqui, nas águas, entregando minha vida a Cristo. E o mais lindo é que minha namorada também tomou essa decisão. Nosso lar começa novo, com Cristo no centro", contou Araújo.

A história de Capim Roxo se entrelaça com os primórdios da Igreja Adventista na região. Em 1914, com a chegada da linha férrea, a família Veiga se estabeleceu na área. O patriarca se converteu e batizou José Garcia Filho, que, cheio de fervor missionário, construiu uma pequena igreja em suas terras e doou parte da fazenda para a obra.
Em pouco tempo, o espaço se expandiu e se transformou na Escola Mineira Adventista (EMA), que chegou a atender 70 alunos internos e oferecia, além do ensino acadêmico, aulas de colportagem, enfermagem, agricultura, culinária e preparação espiritual. O local era conhecido como “uma escola modelo”.
Nos anos 1960, passou a funcionar o Lar dos Meninos, um orfanato mantido pela ASA (Assistência Social Adventista), com apoio internacional. O Capim Roxo também se tornou ponto de encontros espirituais: acampamentos, congressos e semanas de oração que marcaram a juventude adventista por décadas.
Na década de 1990, o missionário Lair Fernandes e sua esposa Adriana iniciaram um processo de revitalização da missão local. Em 1992, os programas de evangelismo de Semana Santa voltaram a ser realizados com impacto crescente. A comunidade foi, aos poucos, alcançada por meio de ações sociais, visitas e conferências.
O Centro Adventista de Treinamento e Recreação (CATRE) foi inaugurado em 1996. O espaço passou a receber grandes eventos da Associação Mineira Sul, como Camporis, treinamentos, retiros e encontros missionários. O local se firmou como sede estratégica para o discipulado de líderes jovens, desbravadores e aventureiros, sendo palco de cursos, congressos e convenções.
Nos últimos anos, o Capim Roxo continua escrevendo sua história. Em 2023, passou por reforma e, em 2024, foi palco de diversos eventos, incluindo o Encontro Missionário da Mulher Adventista e o retiro de carnaval.
Durante a Semana Santa de 2025, mais de 100 visitantes participaram dos cultos. A aula inaugural do Instituto, realizada no dia 21 de maio, simbolizou uma nova fase do Capim Roxo, agora preparado para continuar sendo, como define sua comunidade, “um lugar para salvação”.




Nova distribuição de igrejas marca fase de expansão evangelística na principal cidade da Igreja na Zona da Mata mineira
No último dia 29, a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) deu início a uma reorganização estratégica de seus distritos em Juiz de Fora e de Tocantins, cidade que fica a 97 km da sede da Igreja para o sul de Minas Gerais e para zona da mata mineira. A proposta é ampliar a presença da igreja nas regiões com pouca ou nenhuma atuação adventista, por meio de um plano missionário que envolve redistribuição de igrejas e grupos, plantio de novas congregações e formação de líderes locais.
A iniciativa responde a um desafio específico: Juiz de Fora é a principal cidade sob a responsabilidade da Associação Mineira Sul (AMS), com cerca de 540 mil habitantes, mas conta com apenas cerca de 3.200 adventistas registrados, o que representa menos de 0,59% da população da cidade.

“A igreja precisa crescer muito aqui em Juiz de Fora. O que fizemos foi mapear todos os bairros da cidade, identificar onde não há presença adventista e reorganizar os distritos com base nesse levantamento”, explica o pastor Alexandre Carneiro, secretário da Igreja para a região.
Embora nenhuma sede de distrito tenha sido alterada, igrejas e grupos foram redistribuídos para equilibrar o potencial evangelístico de cada região. Com os novos dados em mãos, cada distrito deverá escolher até o final de 2025 um bairro sem presença adventista para, em 2026, plantar uma nova igreja, com o início de pequenas ações missionárias, como grupos base, classes bíblicas e feiras de saúde, já nos próximos meses.

A nova organização está alinhada ao Instituto Adventista de Missões, recém-inaugurado no Capim Roxo. O instituto será uma das bases de suporte para os novos plantios de igrejas, oferecendo treinamento, mentoria e materiais para os líderes e missionários envolvidos.
O projeto também está conectado à iniciativa da Igreja na região sudeste brasileira, chamada “Em Cada Cidade Uma Igreja”, que visa estabelecer a presença adventista em todos os municípios do território. No caso de Juiz de Fora, essa visão foi adaptada para os bairros urbanos da cidade.
“A ideia é plantar igrejas com DNA de multiplicação e maior relevância urbana. Não estamos falando, inicialmente, de estrutura física, mas de plantar igrejas, ou seja, comunidades vivas compostas por pessoas”, afirma o pastor Alexandre. “A estrutura física virá depois, como consequência”, conclui.
Nova composição dos distritos – Juiz de Fora e Tocantins
Confira abaixo como ficou a nova configuração dos distritos:
Distrito de Juiz de Fora – Central
• Igrejas: Juiz de Fora – Central e São Pedro
• Bairros sem presença adventista: Jardim Glória, Morro da Glória, Borboleta, Aeroporto, Paineiras, Granbery, Poço Rico, Santa Tereza, região central e oeste.
Distrito de Linhares
• Igrejas: Linhares, Bandeirantes, Filgueiras, Grama e Marumbi
• Grupo: Nossa Senhora das Graças
• Bairros sem presença adventista: Centenário, Manuel Honório, Santa Terezinha, Eldorado, Bom Clima, Quintas D’ Avenida, Progresso, Recanta das Pedras, Santa Paula, Granjas Bethânia, Nova Gramado, Vivenda das Pedras, Vale do Amanhecer, Recando dos Lagos, São Corrado, Nova Suíça, Vila Montanhesa, Parque Independência, Vila São José, Santa Lúcia, Jardim Emaús e Granja Guarujá.
Distrito de Santa Cruz
• Igrejas: Santa Cruz, Barbosa Lage, Benfica, Milho Branco e Santos Dumont (cidade)
• Grupos: Nova Era
• Bairros sem presença adventista: Toda a região norte de Juiz de Fora
Distrito de Santa Luzia
• Igrejas: Santa Luzia, Santa Efigênia, e São Mateus • Grupos: Santa Bárbara e Vila Ideal
• Bairros sem presença adventista: Bom Pastor, Dom Bosco, Santa Cecília, Alto dos Passos, Mundo Novo, Boa Vista, Parque Guarujá, Vila Osanã, Furtado de Meneses, Parque Atlanta, Cascatinha, Teixeira, Cruzeiro do Sul, Bela Aurora, Ipiranga, Jardim de Alá, região sul e a cidade de Rio Preto.
Distrito de São Bernardo
• Igrejas: São Bernardo, Santa Cândida, São Benedito, Retiro e Santa Rita
• Grupos: Chácara e Nossa Senhora de Lourdes
• Bairros sem presença adventista: Santo Antõnio, Terras Altas, Jardim esperança, Vila Conceição, vila Santo Antônio, Granja Paraíso, Jardim das Pedras Preciosas, vivenda do retiro, Floresta, Parque Serra Verde, Tiguera, Conjunto JK, Jardim da Lua, Costa Carvalho, Bota Nágua, Jardim do Sol, Bosques dos Pinheiros, Aracy, Bom Jardim, Cesário Alvim, Santos Anjos, Bom Sucesso, Vitorino Braga, Grajaú, Nossa Senhora Aparecida e Bonfim
Distrito de Tocantins
• Recebimento do grupo de Piau.
Uma comitiva da organização missionária Maranatha Voluntários Internacional esteve em Petrópolis (RJ), nesta quarta-feira, 4 de junho, para conhecer de perto o projeto “Em Cada Cidade, Uma Igreja”, promovido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia no Sudeste, que pretende ampliar a presença adventista para todas as cidades de Minas Gerais.
Desde 1969, a Maranatha mobiliza voluntários ao redor do mundo para construção de igrejas, escolas e poços de água. Ao longo de sua história, mais de 10 mil voluntários atuaram em quase 90 países, com a entrega de mais de 16 mil estruturas missionárias.
Durante a visita, estiveram presentes o presidente da Maranatha, Don Noble; o vice-presidente, Kenneth Weiss; a gerente de Relacionamento com Doadores, Laura Noble; o diretor da Maranatha no Brasil, Marcos Pinheiro; e o editor da Adventist Review, Marcos Paseggi.
“O projeto Em Cada Cidade, Uma Igreja nos foi apresentado em novembro de 2024 e, desde então, gostamos muito da proposta. Essa visita foi uma consolidação desse interesse. Ficamos impressionados com o que a Igreja está fazendo aqui. Entrar em todas as cidades não é fácil, mas acredito que é exatamente isso que Deus quer que façamos”, contou o presidente da Maranatha Voluntários Internacionais, Don Noble.
Visita em campo

Após reuniões em Petrópolis, o grupo viajou cerca de 83km, para a cidade de Mar de Espanha, sul de Minas Gerais, onde o projeto "Em Cada Cidade, Uma Igreja" já gerou frutos visíveis. “Em Mar de Espanha eles presenciaram uma realidade muito promissora. Por lá, já temos 17 batismos, liderança consolidada, grupo organizado e reuniões regulares acontecendo. A visita permitiu uma avaliação do desafio que temos em Minas Gerais, mas também do avanço já conquistado” destacou o presidente da Igreja Adventista no Sudeste, pastor Hiram Kalbermatter.
Conheça a história do plantio da igreja adventista em Mar de Espanha:
“Duas coisas me impressionaram profundamente: a autenticidade da liderança e o propósito que os move. Senti-me inspirada pelos objetivos deste projeto e acredito sinceramente que Deus está à frente dele. É emocionante ver a transformação na vida das pessoas ao conhecerem a Igreja. Queremos fazer parte disso”, pontuou a gerente de Relacionamento com Doadores da Maranatha, Laura Noble.
Expectativa para construção de novas igrejas

Outras regiões do Brasil já foram beneficiadas com o apoio da Maranatha, e a expectativa é que esse mesmo modelo seja replicado em cidades mineiras ainda sem presença adventista estruturada.
“Estudamos juntos o projeto, apresentamos relatórios, mostramos o levantamento de terrenos e os resultados já alcançados. Agora, as informações seguem para um comitê de avaliação da Maranatha. O sonho é que, a partir de 2026, à medida que for aprovado, possamos ter a Maranatha como parceira na construção de igrejas com capacidade para 60 a 80 pessoas,” ressaltou o pastor Hiram Kalbermatter.
O projeto “Em Cada Cidade, Uma Igreja” quer plantar templos em localidades de Minas Gerais que ainda não têm a presença adventista, totalizando 325 novas igrejas. A ação tem mobilizado líderes, membros e voluntários em um esforço conjunto para evangelização e discipulado contínuo.




